Valsa das Estações
'E no meio dessa confusão alguém partiu sem se despedir; foi triste. Se houvesse uma despedida talvez fosse mais triste, talvez tenha sido melhor assim, uma separação como às vezes acontece em um baile de carnaval — uma pessoa se perda da outra, procura-a por um instante e depois adere a qualquer cordão. É melhor para os amantes pensar que a última vez que se encontraram se amaram muito — depois apenas aconteceu que não se encontraram mais. Eles não se despediram, a vida é que os despediu, cada um para seu lado — sem glória nem humilhação.

Creio que será permitido guardar uma leve tristeza, e também uma lembrança boa; que não será proibido confessar que às vezes se tem saudades; nem será odioso dizer que a separação ao mesmo tempo nos traz um inexplicável sentimento de alívio, e de sossego; e um indefinível remorso; e um recôndito despeito.

E que houve momentos perfeitos que passaram, mas não se perderam, porque ficaram em nossa vida; que a lembrança deles nos faz sentir maior a nossa solidão; mas que essa solidão ficou menos infeliz: que importa que uma estrela já esteja morta se ela ainda brilha no fundo de nossa noite e de nosso confuso sonho?

Talvez não mereçamos imaginar que haverá outros verões; se eles vierem, nós os receberemos obedientes como as cigarras e as paineiras — com flores e cantos. O inverno — te lembras — nos maltratou; não havia flores, não havia mar, e fomos sacudidos de um lado para outro como dois bonecos na mão de um titeriteiro inábil.

Ah, talvez valesse a pena dizer que houve um telefonema que não pôde haver; entretanto, é possível que não adiantasse nada. Para que explicações? Esqueçamos as pequenas coisas mortificantes; o silêncio torna tudo menos penoso; lembremos apenas as coisas douradas e digamos apenas a pequena palavra: adeus.

A pequena palavra que se alonga como um canto de cigarra perdido numa tarde de domingo.'



rubem braga
...
Valsa das Estações
"Para não sofrer eu vou me drogar de outros, eu vou me entupir de elogios, eu vou cheirar outras intenções. Vou encher minha cara de máscaras para não ser meu lado romântico que tanto precisa de um espaço para existir ridiculamente.

Não vou permitir ser ridícula, nem uma lágrima sequer, nem um segundo de olhar perdido no horizonte, nem uma nota triste no meu ouvido. Eu sei o quanto vai ser cansativo correr da dor, o quanto vai ser falso ignorar ela sentada no meu peito. Mas vou correr até minha última esquina. Vou burlar cada desesperada súplica do meu coração para que eu pare e sofra um pouquinho, um pouquinho que seja para passar.

Suor frio da corrida, sempre com sorriso duro no rosto e o medo de não ser nada daquilo que você me fez sentir que eu era. Muita maquiagem para esconder os buracos de solidão. Muita roupa bonita para esconder a falta de leveza e de certeza do meu caminho.

E por que vendo tanto meu corpo e tão pouco minha alma? Porque quero ver você comprando o que realmente quer e não enganando querer para levar a promoção.

Cansei das promessas de compra e das devoluções gastas do meu corpo. Cansei de expor minha alma se no fim tudo acaba mesmo. Então tá aqui ó: peitinhos, coxas, barriga e o buraco que você tanto quer.

Leve de uma vez e me engane por alguns dias. Você é igual a todos os outros e todos os outros são: lixo. O amor não existe, e, se existe, não dura pra sempre. E, se não dura pra sempre, não é amor. E nada dura pra sempre. E então o amor não existe.

Estou amarga com simplicidade, e isso é relaxante já que vivo cheia de complicações. A amargura é muito mais simples que a esperança. Estou triste do tamanho do buraco sem vida que você deixou em mim, uma concavidade sonhadora que ainda pulsa um desejo que ao mesmo tempo enoja.

Ainda sinto você aqui dentro e toda a energia boa de vida que esta lembrança poderia gerar em mim, mas essa energia sem escape, sem válvula, sem história, essa energia inocentemente transformada em ódio, só carrega ondas que me corroem por dentro.

Mas para não sentir dor eu vou jurar ao último ouvido do meu universo o quanto você é descartável. O quanto sua molecagem não permitiu nenhuma admiração de minha parte.

Para não sofrer não vou permitir minha cabeça no travesseiro antes do cansaço profundo e sem cérebro. Não vou permitir admirar coisas da natureza porque talvez eu me lembre de você ao ver algo bonito.

Não vou permitir silêncios porque é aí que o meu fundo transborda e a tristeza pode me tomar sem saída. Eu vou continuar deixando a minha cabeça me martelar porque toda essa confusão é ainda menos assustadora do que a calmaria da verdade.

A verdade é a frieza do mundo, é a podridão dos desejos, são as mentiras que a gente inventa para os outros e acaba acreditando. A verdade é que mais cedo ou mais tarde você será traído, porque todo mundo tem medo de viver a entrega. A verdade é que ninguém se entrega porque ninguém se tem. A verdade é que não estamos aqui, estamos em algum lugar seguro vivendo nossas vidas medíocres. A verdade é que todo esse perfume é vergonha de nossa essência, todas essas marcas são vergonha do nosso corpo, todo esse charme despretensioso é vergonha de nossas fraquezas. A verdade é que nada é inteiro porque até o inteiro para ser todo precisa ter seu lado vazio. A verdade é que não dá para fugir da dor, e eu continuo correndo, correndo, correndo e não saindo do mesmo lugar."


- tati bernardi
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"João e Helena chegavam do trabalho como sempre faziam. Mas naquela noite quando abriram a porta, levaram um susto: havia algumas pessoas dentro da casa. Achando que eram ladrões, marido e mulher ficaram assustados. Mas, um homem forte e saudável, com o corpo de atleta disse:

- Calma, nós somos velhos conhecidos e estamos em toda a parte do mundo. – Helena pergunta:

- Mas quem são vocês? – O homem com corpo de atleta responde:

- Eu sou a PREGUIÇA. Estamos aqui para sair definitivamente da vida de vocês. –

Helena, nervosa, mas curiosa pergunta:

- Como você pode ser a preguiça se tem um corpo de atleta que vive malhando e praticando esportes? A preguiça rapidamente responde:

- A preguiça é forte como um touro e pesa toneladas nos ombros dos preguiçosos. Com ela, ninguém pode chegar a ser um vencedor.

Num canto, uma mulher velha curvada, com a pele cheia de rugas, que mais parecia uma bruxa diz:

- Eu, meus queridos, sou a LUXÚRIA. – João, indignado fala:

- Não é possível! Você não pode atrair ninguém com essa feiúra. A velha responde:

- Não há feiúra para a LUXÚRIA. Sou velha porque existo há muito tempo entre os homens. Sou capaz de destruir famílias inteiras, perverter crianças e trazer doenças para todos, até a morte. Sou esperta e posso me disfarçar na mais linda mulher.

Um cheiro ruim invadiu a casa e um homem todo sujo, com roupas rasgadas, parecendo um mendigo fala para o casal:

- Eu sou a COBIÇA. Por mim, muitos já mataram, abandonaram famílias e pátria. Sou tão antigo quanto a LUXÚRIA. Mas dependo dela para existir.

Uma mulher lindíssima, com o corpo escultural aparece e diz:

- E eu, sou a GULA. – Os donos da casa se assustaram e a esposa disse:

- Sempre imaginei que a GULA seria gorda. – A GULA responde:

- Sou linda e atraente, porque se assim não fosse, seria muito fácil se livrarem de mim. Minha natureza é delicada, normalmente sou discreta, quem tem a mim, não percebe. Me mostro sempre disposta a ajudar na busca da LUXÚRIA.

Sentado numa cadeira, em outro canto da casa, um senhor, também velho, mas com o rosto suave e voz calma diz:

- Eu sou a IRA. Alguns me conhecem como cólera. Tenho muitos milênios também. Não sou homem, nem mulher, assim como meus companheiros que estão aqui. – Helena desapontada fala:

- IRA? Você parece mais um vovô que todos gostariam de ter. – E a IRA responde:

- E a grande maioria me tem! Matam com crueldade, provocam brigas horríveis e destroem cidades quando me aproximo. Sou capaz de acabar com qualquer sentimento diferente de mim. Posso estar em qualquer lugar e entrar nas mais protegidas casas. Pareço calmo e sereno para lhes mostrar que a IRA pode estar no aparentemente manso. Posso ficar dentro do íntimo das pessoas sem me manifestar, provocando as mais terríveis doenças.

De repente, uma jovem, exibindo uma coroa de ouro cravada de diamantes, braceletes de brilhantes e usando roupas caras, como se fosse uma princesa rica e poderosa fala:

- E eu sou a INVEJA. Faço parte da história do homem desde a sua criação. Helena, então, pergunta:

- Como você pode ser a INVEJA, se é rica e bonita e parece ter tudo o que deseja? – E a INVEJA responde:

- Há os que são ricos, os que são famosos e os que não são nada disso, mas eu estou entre todos. A INVEJA surge pelo que não se tem e o que não se tem é a felicidade. Felicidade depende de amor, e isso é o que demais precisa a humanidade. Onde eu estou, também está a Tristeza.

Enquanto os invasores se explicavam, um garoto, que parecia ter uns cinco, seis anos, brincava pela casa sorrindo, inocente, com toda a sua juventude pela frente, olhos ativos. Helena, curiosa, pergunta:

- E você, garoto, o que faz junto a esses que parecem ser o mal em pessoa? – O garoto responde sorrindo e com um olhar profundo:

- Eu sou o ORGULHO – Helena não acredita:

- ORGULHO? Mas você é apenas uma criança! Tão inocente como todas as outras.

O menino fica tão sério a ponto de assustar o casal e diz:

- O ORGULHO é como uma criança mesmo. Se mostra inocente e inofensivo. Mas não se enganem, sou tão destrutivo quanto todos aqui. Quer brincar comigo?

Nesse momento, a PREGUIÇA interrompe a conversa:

- Vocês devem escolher quem de nós sairá definitivamente de suas vidas. Queremos uma resposta.

João diz:

- Por favor, dêem dez minutos para pensarmos.

João e Helena vão para o quarto e lá fazem várias considerações. Dez minutos depois voltam. – A GULA pergunta:

- E então, o que decidiram? – João responde:

- Queremos que o ORGULHO saia de nossas vidas.

O garoto olha com muito ódio para o casal, pois queria continuar ali. Mas, vai embora. Os outros, em silêncio, iam acompanhando o garoto quando João pergunta:

- Ei! Vocês vão embora também?

O menino, que é o ORGULHO, então diz com raiva e com a voz forte:

- Vocês escolheram que o ORGULHO saísse de suas vidas e fizeram a melhor escolha, porque onde não há ORGULHO, não há preguiça. Os preguiçosos são aqueles que se orgulham de nada fazerem para viver, não percebendo que na verdade, vegetam. Onde não há ORGULHO, não há LUXÚRIA, pois os que têm LUXÚRIA, têm ORGULHO de seus corpos e se julgam merecedores. Onde não há ORGULHO, não há COBIÇA, pois os que têm COBIÇA, têm ORGULHO das migalhas que possuem, juntando tesouros na terra e INVEJAndo a felicidade dos outros. Não percebem que na verdade, são instrumentos do dinheiro. Onde não há ORGULHO, não há GULA, pois os gulosos se orgulham de suas condições e jamais admitem que o são. Arrumam desculpas para justificar a GULA, não percebendo que na verdade, são marionetes dos desejos. Onde não há ORGULHO, não há IRA, pois os que têm IRA, com facilidade, destroem aqueles que, segundo o próprio julgamento, não são perfeitos, não percebendo que na verdade, sua IRA é resultado de suas próprias imperfeições. Onde não há ORGULHO, não há INVEJA, pois os invejosos sentem o ORGULHO ferido ao verem o sucesso dos outros, seja ele qual for. Precisam constantemente superar os demais nas conquistas, não percebendo que na verdade, são ferramentas da insegurança. Todos saíram sem olhar para trás e, ao baterem a porta, um fulminante raio de luz invadiu a casa.

MORAL DA ESTÓRIA:
O ORGULHO cega as pessoas! E cegas, mais facilmente cometem pecados. "
Valsa das Estações
Me deu vontade de tratar de pequenos assuntos que eu gosto (ou gostava) de falar, principalmente no meu falecido blog. E um dos primeiros posts, que eu me lembre, foi falando da minha relação com o 'amor'. Eu lembro de cada palavra que usei naquele post, cada ideia, cada antigo idealismo, e...

... as coisas vão mudando. Acho que a medida que você vai ficando mais velho, o mito do amor romântico vai ficando mais pra trás e você vai ficando uma pessoa um pouco mais rancorosa, amarga, conformista.

Uma amiga me mostrou uma vez uma revista que dizia que as pessoas mais românticas sofriam forte influência da mídia, como os filmes hollywoodianos e suas baboseiras romanticas. De certa forma sim, existem pessoas que se deixam influenciar por aquilo que vêem, mas não creio que seja meu caso. Claro, é lindo ver um filme que tem um final feliz, cheio de gente sorrindo e com estrelas na boca, de um lado a outro, mas meu mito pessoal, minha relação com o amor vem desde criança.

Nunca deixei de acreditar, leia bem, nunca, na possibilidade de existir um amor verdadeiro. Por mais que o que eu veja seja amores acabando, amores sendo traídos, jogados fora, eu creio que o amor existe, nem que dure pouco ou muito. Né aquela frase? "Que seja eterno enquanto dure.".

E por mais que meu antigo coração 'ex-100% emoção' esteja cada vez mais sendo levado pra um triste e frio lado racional, eu não vou deixar essa pontinha de idealismo utopico sumir de mim. Ele existe e sempre existirá, quer eu tenha vivido ou não. Pelo menos tenho o pensamento que, mesmo que não aconteça comigo, esse idealismo também vá existir, espero, na cabeça de outras pessoas. E assim elas sigam vivendo suas vidas... em busca de algo maior que dinheiro, casas, carros, bebedeiras e farras... que exista alguém que goste delas e que elas gostem de volta, simplesmente por gostar, sem nada em troca.

Mas ainda espero viver isso também, intensamente.
Valsa das Estações
* Belchior entrou para o guinness como campeão de esconde-esconde.
* Belchior em latim se escreve muit obem escondidus.
* Osama Bin Laden é aluno de Belchior.
* O google procurou Belchior. O resultado foi "ERROR 404"
* Colocaram o nome de Belchior em um cachorrinho. O cachorrinho fugiu e nunca mais o viram.
* Quando encontrarem o segredo da vida, belchior estará junto.
* O ingrediente secreto da coca-cola esta anotado em um papel, guardado no bolso de Belchior.
* Uma vez belchior chamou Chuck Norris para brincar de esconde-esconde, Chuck Norris foi encontrado.
* Porque é tão dificil achar o ponto G? Simples, Belchior que desenhou o caminho.
* Perguntaram para Deus: Onde está Belchior? ele desconversou e respondeu: "To resolvendo o caso do Sarney ainda".
* Belchior em chines: xádeshumisso.
* Nas ecografias que a mãe de Belchior fez, ele não apareceu em nenhuma.
* A mulher e o homem perfeito existem. Estão juntos a Belchior.
* A sombra de Belchior também está procurando ele.
* Belchior na Arábia: Ishtar Sumid.



fonte: http://cocagelada.blogspot.com/2009/08/belchior-facts.html


uhaeeuhaeuheuhuaheae
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'Tem rapariga aí? Se tem, levante a mão!'. A maioria, as moças, levanta a mão. Diante de uma platéia de milhares de pessoas, quase todas muito jovens, pelo menos um terço de adolescentes, o vocalista da banda que se diz de forró utiliza uma de suas palavras prediletas (dele só não, de todas bandas do gênero). As outras são 'gaia', 'cabaré', e bebida em geral, com ênfase na cachaça. Esta cena aconteceu no ano passado, numa das cidades de destaque do agreste (mas se repete em qualquer uma onde estas bandas se apresentam). Nos anos 70, e provavelmente ainda nos anos 80, o vocalista teria dificuldades em deixar a cidade.

Pra uma matéria que escrevi no São João passado baixei algumas músicas bem representativas destas bandas. Não vou nem citar letras, porque este jornal é visto por leitores virtuais de família. Mas me arrisco a dizer alguns títulos, vamos lá:



Calcinha no chão (Caviar com Rapadura),

Zé Priquito (Duquinha),

Fiel à putaria (Felipão Forró Moral),

Chefe do puteiro (Aviões do forró),

Mulher roleira (Saia Rodada),

Mulher roleira a resposta (Forró Real),

Chico Rola (Bonde do Forró),

Banho de língua (Solteirões do Forró),

Vou dá-lhe de cano de ferro (Forró Chacal),

Dinheiro na mão, calcinha no chão (Saia Rodada),

Sou viciado em putaria (Ferro na Boneca),

Abre as pernas e dê uma sentadinha (Gaviões do forró),

Tapa na cara, puxão no cabelo (Swing do forró).



Esta é uma pequeníssima lista do repertório das bandas.

Porém o culpado desta 'desculhambação' não é culpa exatamente das bandas, ou dos empresários que as financiam, já que na grande parte delas, cantores, músicos e bailarinos são meros empregados do cara que investe no grupo. O buraco é mais embaixo. E aí faço um paralelo com o turbo folk, um subgênero musical que surgiu na antiga Iugoslávia, quando o país estava esfacelando-se. Dilacerado por guerras étnicas, em pleno governo do tresloucado Slobodan Milosevic surgiu o turbo folk, mistura de pop, com música regional sérvia e oriental. As estrelas da turbo folk vestiam-se como se vestem as vocalistas das bandas de 'forró', parafraseando Luiz Gonzaga, as blusas terminavam muito cedo, as saias e shortes começavam muito tarde. Numa entrevista ao jornal inglês The Guardian, o diretor do Centro de Estudos alternativos de Belgrado, Milan Nikolic, afirmou, em 2003, que o regime Milosevic incentivou uma música que destruiu o bom-gosto e relevou o primitivismo estético. Pior, o glamour, a facilidade estética, pegou em cheio uma juventude que perdeu a crença nos políticos, nos valores morais de uma sociedade dominada pela máfia, que, por sua vez, dominava o governo.

Aqui o que se autodenomina 'forró estilizado' continua de vento em popa. Tomou o lugar do forró autêntico nos principais arraiais juninos do Nordeste. Sem falso moralismo, nem elitismo, um fenômeno lamentável, e merecedor de maior atenção. Quando um vocalista de uma banda de música popular, em plena praça pública, de uma grande cidade, com presença de autoridades competentes (e suas respectivas patroas) pergunta se tem 'rapariga na platéia', alguma coisa está fora de ordem. Quando canta uma canção (canção?!!!) que tem como tema uma transa de uma moça com dois rapazes (ao mesmo tempo), e o refrão é: 'É vou dá-lhe de cano de ferro/e toma cano de ferro!', alguma coisa está muito doente. Sem esquecer que uma juventude cuja cabeça é feita por tal tipo de música é a que vai tomar as rédeas do poder daqui a alguns poucos anos.

Ariano Suassuna
Valsa das Estações
Elemento: Ar
Planeta Regente: Vênus
Palavras-chave: Eu me relaciono. Eu escolho.
Afinidades: Touro, Gêmeos, Leão, Libra, Sagitário e Aquário


Caracteristicas

O signo de Libra representa o relacionamento, o casamento, o acordo, a cooperação, a busca por justiça e equilíbrio. Os librianos são sociáveis, refinados, delicados, simpáticos, gentis e diplomáticos.

Negativamente podem ser indecisos, fúteis, inconstantes, covardes, vulneráveis e indolentes.

Libra indica uma necessidade de viver o presente e iniciar atividades. Os librianos geralmente buscam a colaboração dos outros ao invés de continuarem sozinhos. Sentem grande necessidade de companheirismo e só assim se sentem realizados. Contudo precisam manter sua própria individualidade dentro da estrutura de seus relacionamentos. Se reconhecerem dentro de um relacionamento é muito importante para que não mantenham a relação apenas para manter as aparências. Pois, existe uma tendência para criar apenas uma imagem social e nunca ter um estilo de vida verdadeiro e honesto. Há o perigo, também, de permanecerem em relacionamentos emocionalmente prejudiciais por precisarem desta imagem social.

(...)

Os librianos não existem sem relacionamento. Para eles é fundamental a vida a dois, e mostram suas melhores qualidades numa relação em que existe harmonia, comunicação e vida social.

(...)

Sendo o amor o elemento mais importante na vida de Libra, indispensavelmente sua mulher será o centro de toda a atenção, sobre o qual tudo girará, mesmo que a sensualidade de Vênus o induza a uns quantos deslizes, regressará sempre ao seu verdadeiro lar. Gosta de dar e receber elogios e atenções, coisa que jamais lhe passa desapercebido.

(...)

O carinho, as distrações e a alegria lhe farão sair dessas caídas, pois Libra é encantador e sociável por natureza, e por isso gosta de conviver com as demais pessoas.

(...)

A estética, a ordem e harmonia lhe faz feliz.

Os librianos vivem em função do amor. São sentimentais e sonhadores, fanáticos pelo legal e equilibrador, não admitem de maneira alguma que se desvie desses cânones.

(...)


Seus sonhos

Gentil e romântico, transmite paz com o seu jeito equilibrado. Está sempre à procura de amor. Não gosta de brigas e tem grande poder de comunicação. Nos seus sonhos prevalece o lado poético e sensível. As artes também marcam presença, já que tem muito talento nesta área.


Os principais defeitos:

* Ardentes ao extremo, porém durável somente por pouco tempo;
* caprichosos;
* morosos;
* mutáveis e impulsivos;
* passam rapidamente da alegria à melancolia.
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- Lins!

- Ouxi... preta?! O que tu tá fazendo aqui?!

- Estudando, Jornalismo!

- Sério!? Ainda ontem tu tava no colégio! E tinha 14 aninhos!

- Lins... já tou com 18. As pessoas envelhecem, ahahah.

- Caraca, sério? Como o tempo voou...
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adj. Que não se pode exprimir por palavras; indizível: alegria inefável. / Fig. Delicioso, inebriante.




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é uma das palavras mais bonitas que conheço. e tem uma historinha legal de como a conheci, foi bonitinha.

quer elogio melhor que... inefável?
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- O primeiro amor não se esquece.

- E como você suporta?

- Eu não suporto. Meu coração parece porta de banheiro, cheio de nomes escritos...
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i know it's not much, but it's the best i can do
my gift is my song and... this one is for you. ;)
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Um tempo atrás vi um filme que dizia que a sociedade atual pode ser considerada a sociedade fast-food, você come, gosta do sabor no momento, absorve os poucos nutrientes que ela tem pra passar e... defeca.

É isso, as vezes acho que as pessoas, incluindo eu, tem prazo de validade... acaba. Tudo digere, tudo acaba. Não é assim? Isso é horrivel.
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Valsa das Estações
I've tried so hard, my dear, to show
That you're my every dream
Yet you're afraid each thing I do
Is just some evil scheme

A memory from your lonesome past
Keeps us so far apart
Why can't I free your doubtful mind
And melt your cold cold heart?

Another love before my time
Made your heart sad an' blue
And so my heart is paying now
For things I didn't do

In anger unkind words are said
That make the teardrops start
Why can't I free your doubtful mind
And melt your cold cold heart?

There was a time when I believed
That you belonged to me
But now I know your heart is shackled
To a memory

The more I learn to care for you
The more we drift apart
Why can't I free your doubtful mind
And melt your cold cold heart?

- norah jones.
tradução:
http://letras.terra.com.br/norah-jones/117711/
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Valsa das Estações
Gostava sempre de acordar cedinho, após uma grande noite de sonhos. Sonhava, sonhava, sonhava. Não costumava lembrar do que sonhava, mas tinha certeza que eram coisas boas quando acordava disposto. E isso acontecia com uma freqüência muito grande.

Sempre as 05:05. Não tinha nenhum motivo grandioso pra acordar sempre a essa hora, a não ser um simples simbolismo... que tinha alguém pensando nele. Gostava disso, de imaginar que tinha alguém naquele exato momento dirigindo o pensamento a ele, mesmo que, por ser tão cedo, fosse num sonho mal dormido ou sabe-se lá o quê.

Religiosamente cumpria sua rotina. Acordava, tomava um pequeno copo de frapuccino e ia pra varanda do seu quarto, de onde ficava vendo e brincando com o céu. Olhava pros vários tons de azul e laranja, e como o sol ia subindo devagarzinho. Via desenhos nas nuvens e ficava lembrando do tempo que era uma criança. Parecia um sonho, tudo bonito, colorido, feliz. Gostava da vida que levava, do que o esperava pelo resto do dia. Sabia exatamente os sorrisos que encontraria, as pessoas que andariam com ele e a satisfação enorme que iria ter ao colocar a cabeça no travesseiro, no final da noite, se não fosse surpreendido por alguma mensagem saudosa e carinhosa. Era isso, sua vida.

Mas tinha medo que não fosse sempre assim. E tinha certeza que não seria. Um dia teria que se re-acostumar com um tédio e insatisfação gigante que iriam tomar conta dele. Tudo era inconstante. Talvez essa palavra fosse a que melhor descrevesse-o. Inconstância. E isso o assustava! Como era grande o medo que ele tinha de perder tudo aquilo que conquistava, o medo de ficar sozinho, o medo de não ter pra quem ligar, chamar pra sair ou simplesmente reclamar de como um chocolate está ‘enjooso’ ou de como suas mãos estão geladas de tanto frio! Cada pequena coisinha, pensava em tudo. Dava valor a cada pequeno gesto e cada pequena coisa que acontecia em sua vida. Era um livro de sentimentos e sensações, registros. E tinha medo que as pessoas não o entendessem ou não correspondessem por tamanha sinceridade, carência e amabilidade. Gostava. Gostava demais... e tinha medo que não gostassem dele.

Talvez tivesse mais registros dolorosos do que felizes. Como já diria uma conhecia frase, ‘tristeza não tem fim, felicidade sim’. Era isso. Mas registrava com carinho os momentos felizes, escrevia com uma caneta vermelha no seu livro da vida, enquanto os tristes eram escritos bem pequenininhos, num canto qualquer de uma folha esquecida, apesar de saber que não dá pra passar uma borracha em cima, já que o livro é contínuo e não dá pra ser reescrito.

Um dia o despertador não tocou.

Levantou-se mais tarde, tossiu forte e sem pausas. Tinha uma dor grande nos pulmões, algo que não o incomodava mais havia muito tempo. E já sabia de antemão que não seria um bom dia. Andou cuidadosamente até a varanda, já esquecendo do seu frapuccino em cima da mesa. Viu que não tinha as tonalidades de azul que costumava contar, e sim um tom triste de cinza. Na verdade ele gostava do cinza, sempre achou uma cor calma. Mas nunca negou que passava bastante agonia, vazio. Era isso, seria um dia vazio? Talvez não. Uma chuva forte veio preencher o vazio do descolorido céu. Chovia, chovia. Teve de fechar a janela. E ao fechar se deu conta de uma imagem apática e acabada no reflexo. Não sabia se o que via era a chuva escorrendo no vidro ou se eram lágrimas que desciam pelos seus olhos verdes. Cansou. Pra algumas pessoas a solidão pode cair bem, pra ele não. Sentia-se rodeado de fantasmas quando estava sozinho, e se sentia pesado e velho demais. Agonizante, horrível, doía lá no fundo de sua alma. Não gostava quando acontecia alguma coisa que mudasse seu dia-a-dia, que trazia a menor, sutil e frágil diferença. Sentia muita falta... Pensava em todos os seus sonhos de criança, sua adolescência, as pessoas que jurava que nunca iria abandonar, que trocara palavras de carinho, admiração, respeito, que gastara horas conversando, reclamando. Todos aqueles rostos que vieram e foram embora, por circunstâncias tristes ou inevitáveis. Pessoas que se perderam no tempo, pessoas que seguiram suas vidas. Pessoas. Sentia falta das pessoas. Dos seus amores e loucuras, das palavras que tremeu em dizer, dos momentos de nervosismo, das decepções, das surpresas gigantes! Pessoas, pessoas. Parecia que quanto mais conhecesse, mais doloroso era. Pensava nas palavras que ele não disse, ou as coisas que deixou de fazer que podiam ter mudado a sua vida. Ficava triste, mas o que poderia fazer? Talvez fosse apenas o dia. Culpa do despertador ou então de São Pedro. Quem sabe? Ele era só medo...

Lembrava de algumas canções antigas que seus pais cantarolavam quando jovens... "Viver é melhor que sonhar.". Não concordava com isso. Tinha no seu punho e no seu coração a certeza de que sonhar era a única coisa que lhe restava. A realidade talvez seja a melhor escapatória, mas nem sempre é a coisa mais bonita. Pelo menos tinha certeza de que, nos seus sonhos, o céu sempre estará azul e as pessoas sempre estarão sorrindo com ele.

Triste é não poder sonhar.

Triste é aquele sonho que acaba.

E o sol sempre voltaria a nascer...
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